
Estou muito envolvido ultimamente com a obra de Vinícius de Moraes. Na verdade sempre gostei de bossa nova e, particularmente, das músicas que ele compunha. Porém ultimamente tenho lido muita coisa dele, além de ouvido, claro!
Ganhei de amigo secreto aqui do trabalho, um DVD com um documentário sobre a vida do boêmio Vinícius, contando seus amores, desamores e composições. Aí já viu né. Eu com um tocador de vinil, um documentário sobre a vida dele e alguns livros de entrevistas e poesias, não podia dar outra coisa para me fazer chegar a conclusão de que precisamos de mais Vinícius de Moraes por aí.
A vida dele se parece muito com a do Cazuza, mas difere no ponto de não ser tão irresponsável e mimado como ele. Vinícius tinha um emprego no Itamaraty e tinha a competência necessária para saber dividir sua vida de diplomata e de poeta. Porém sua vida poeta era completamente desregrada e etílica. Quando vestia a carapuça de poeta, enchia a casa de gente que nem conhecia, se embebedava sempre e amava… amava muito e sem limites.
O que transformou Vinícius de Moraes em Vinícius de Moraes foi o amor. Casou-se nove vezes e ficava com a esposa da vez até que a paixão acabasse. Vivia intensamente o que sentia e, depois, sofria intensamente a separação… isso até se engraçar com outra moçoila. E, durante esse processo de paixão-fossa, ele compunha os mais belos poemas que hoje podemos ver em qualquer propaganda do Boticário.
Uma das coisas que não sabia, e que acabei descobrindo lendo uma de suas entrevistas, foi que ele que colocou Tom Jobim debaixo dos holofotes. Foi durante a peça Orfeu da Conceição, escrita pelo Vinícius, que perceberam que estavam precisando de um maestro/pianista para escrever algumas músicas. Então Vinícius foi informado que tinha um cara que tocava um piano safado num barzinho lá no Rio e que seria perfeito para o emprego. Daí então surgiu a maior parceira depois de Chitãozinho&Xororó da música brasileira.
Voltando ao fim do segundo parágrafo, acho que do jeito que estamos hoje, com tudo nos eixos, todas as celebridades vigiadas e que, quando tem alguém que vive no limite, este alguém é jogado na cova dos leões, fica difícil de termos coisas tão boas como o Soneto do Amor Total ou ouvir por aí acordes tão bonitos como os de Eu Sei que Vou te Amar. Falta gente vivendo intensamente a dor e o amor. Faltam heróis e vagabundos declarados (e de carteira assinada).
Falta… falta muito para que possamos ver outro poetinha por aí.
Assine meu RSS
É cara, realmente FALTA.
Essa impressão de que não temos nada de novo para ouvir sempre me abate.
Eu ouço até Pitty, com alguma esperança, hahaha. Pelo menos ela parece de verdade.
Mas mesmo assim, definitivamente, não é a mesma coisa.
Ouço também Humberto Gessinger, um Renato Russo que não morreu cedo. Ele está com um projeto novo chamado “Pouca Vogal”. Acredito que ele seja o melhor que temos pra ouvir hoje.
E eu também espero ouvir coisas boas da Mallu Magalhães. Mas acho que isso não vai ser possível, pois a mídia já descobriu a menina. Dai fodeu.
Responda este comentário
ai ai!!!……………..
… muitas reticências…
Responda este comentário