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Nome Impróprio

Somente para quem ia em bailinhos

16 Feb 2009 por Ivan

Do you wanna dance, and hold my hand?

A coisa toda funcionava mais ou menos assim: Meninos levam bebida e meninas comida.

E assim começava a maior esperança de se conseguir dar uns amassos para uma turminha de garotos de 11-12 anos. Pelo menos na minha cidade, era normal os ultra jovens CRUJ CRUJ CRUJ pré-adolescentes se reunirem na sexta-feira E no sábado para, ao som de Unchained Melody, tentar a sorte com alguma moçoila!

Lembro até hoje (com um sorriso no rosto, confesso) como toda a coisa se desenvolvia. Primeiro na sexta-feira durante a aula rolava bilhetinhos adoidados entre os alunos da classe. Começava na menina que ia organizar o evento (era sempre na casa das meninas) e o negócio ia se espalhando mais que merda no ventilador boato no Twitter. Em poucos minutos, toda a sala já estava convidada para comparecer ao famoso e aclamado BAILINHO. Ia todo mundo mesmo. Desde os mais POPS até os mais recatados. Parecia que cada um deixava sua panelinha para a formar um caldeirão. Caldeirão de hormônios em ebulição.

Na saída da aula todos confirmavam a presença e ficava já meio que pré-estabelecido que cada macho levaria uma garrafa de refri e cada fêmea levaria um pacote de salgadinhos. Tudo da pior qualidade, claro. Éramos mais duros que pau de tarado em noite escura, então agente gastava o troco do lanche da cantina para comprar dois litros de TUBAÍNA e as meninas um saco de FEDORITOS. Chegando no lugar, a dona da casa fornecia os copinhos plásticos e as bacias (sim, bacia… igual da sua mãe… aquela de lavar roupa) para misturar todos os salgadinhos. Nosso estômago, no final da festa, parecia feito de concreto devido a mistura de tang gaseificado e isopor com sal… INESQUECÍVEL!!

Depois de abastecer as bacias e os copinhos plásticos, era chegada a hora. A hora que separava meninos de pré-adolescentes. A hora da dança. Quando começava I Will Always Love You, diretamente da trilha sonora do filme O Guarda Costas, as luzes eram apagadas e ficávamos somente com a iluminação do restante da luz da rua e do interior da casa. Havia chegado a hora da verdade. Assim como qualquer coisa, o começo é sempre mais difícil. Até o primeiro corajoso escolher a primeira menina para dançar. Tínhamos táticas de ir em “turminha” ou “solo”. Normalmente o “solo” era aquele que já tinha algum rolinho com alguma menina, aí era só convidar para dançar e tchuns… já ia uma galerinha logo em seguida.

Esse cd tocava praticamente inteiro no bailinho... e ai de quem tirasse

Ai de quem tirasse esse cd do aparelho de som. Era exumado da festa

Era interessante ver como funcionava a engrenagem hormonal dos adolescentes que alimentava  os bailinhos. Primeiro você tinha que tomar AQUELA atitude de levantar a bunda da cadeira, ATRAVESSAR O SALÃO e ir em direção até a menina desejada. Estender a mão e falar “Vamdançar?!” Era difícil alguém levar um NÃO. Quando a menina não tava a fim, ela dançava uma música, com o corpo beeeem distante do menino, e depois voltava para o lugar. Mas quando ela queria dançar era mais interessante ainda. Começávamos dançando numa distância corporal razoável e, música após música, agente ia se abraçando mais. Presumo que eram preciso 4 músicas para estar no momento “enrolado quase beijando”. E, a partir da quarta música, era esse momento ad infinitum, ou até quando acabasse o bailinho.

Patrick Swayze fez aulas com agente. Éramos quase profissionais

Patrick Swayze aprendeu a dançar com agente. Éramos profissionais

Foi num bailinho que consegui dar meu primeiro beijo… e que, curiosamente, também fui o primeiro menino que esta menina beijou. Mantemos uma amizade forte até hoje e rimos quando lembramos disso tudo. Vários outros primeiros beijos de outros meninos e outras meninas foram dados naqueles bailinhos. Coisa inocente mesmo… de cada um se descobrindo aos poucos e cada vez mais. Muito diferente do que vemos hoje.

Ahhh, boas lembranças desta época, onde uma dança com uma menina que você gostava representava muita… mas MUUUITA coisa mesmo. E duvido que você, que também ia em bailinhos, quando ouve as músicas que tocavam nos seus bailinhos não expresse sequer um sorriso ou uma palpitação no coração. Comigo acontece isso e as vezes até me pego cantando uma ou outra música no chuveiro.


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