11 Mar 2010 por Ivan

Primeiro você começa escrevendo sobre tudo que está na sua frente. Desde a cor da sua escrivaninha até da poeira voando do teclado e grudando no chão.
Aí você vê que pelo menos 5 pessoas (além da sua mãe) gostam de ler aquilo que você escreve. Então você começa a escrever para essas pessoas. E esse número de pessoas aumenta e opiniões começam a divergir. Aí você começa a agradar uma parcela dos seus leitores e perde a outra parcela. Mas tudo bem, você ainda está no começo. Espera que a parcela que goste aumente e então você insiste que determinado assunto é o que vai fazer você ter vários leitores.
Escreve pelo menos uma vez a cada três dias e acaba percebendo que está se censurando de alguma maneira por não querer desagradar aqueles que te leem ou por medo das coisas novas saírem da linha daquela que você estava habituado a escrever. Medo de perder aquele nicho. Medo de se perder num caminho novo.
As atualizações passam a ser semanais, mas você promete para si mesmo que não vai deixar a bola cair e planeja uma agendinha de horários e idéias para escrever. A agenda dura duas semanas. Agora as atualizações serão mensais e ponto final.
Aí você está pouco se importando se estão te lendo ou não. Se sentem falta daquilo que você escreve ou não. Mas tudo bem. Tá lá no ar, é só entrar para ler.
Mas você não quer acabar com isso de vez. Sente uma pena misturada com a nostalgia dos velhos tempos onde idéias iam parar diretamente aqui e torcia para que muita gente lesse e compartilhasse o que você tinha escrito. Onde eu iria escrever a minha mais nova brilhante idéia? No guardanapo do barzinho da esquina? Decide que vai continuar pagando as mensalidades e deixar ele aqui, mesmo que for pegando alguns bits de poeira. Mas ele ainda estará vivo.
Atualizações serão randomicas e não seguirá nenhuma linha. Nenhum nicho. Liberdade total. Finalmente livre daquela burocracia auto imposta de ter que escrever somente sobre determinado assunto. Mas como assim?! Não sou composto de um determinado assunto. Não sou um jornal de domingo aberto preguiçosamente em cima da mesinha de centro com as notícias da última semana.
Se sou livre para pensar o que quiser, também sou livre para escrever sobre o que quiser e quando quiser.
Blog, eu te liberto de mim mesmo! FINALMENTE!
4 Jan 2010 por Ivan
Só estou usando um pouco mais minha vida off-line.
Você me encontra ocasionalmente aqui e aqui.
Dia desses volto a postar, por isso…. NÃO DEIXEM DE ASSINAR MEUS FEEDS!

4 Dec 2009 por Ivan
Sabe, pensei muito antes de escrever isso aqui e revirar uma coisa que para mim já estava encerrada. Mas a vida acaba nos trazendo algumas coisas que nos fazem pensar que heróis realmente não existem e que ainda as pessoas acabam se julgando sem ter base nenhuma para isso.
O suicídio de Leila Lopes provocou algumas reações que eu já esperava e conhecia. A reação de subjulgar quem comete suicídio querendo achar um culpado a qualquer custo ou até mesmo falar que o suicida não sabia viver a vida. De quem é a culpa? Do contexto em que o suicida vivia? Do próprio suicida? Da sociedade? Existe um culpado? Existe a culpa?
Desde sempre eu ouvi que quem tenta o suicídio é um idiota, já que a vida é linda e cor de rosa e os problemas são passageiros e no final tudo melhora. Deus deu a vida e ninguém pode tirá-la, certo? Errado. Se Deus deu a vida, é para cada um cuidar da sua e fazer dela o que bem entender.
Aí chega um pseudo humorista que, por mais que eu abomine isso, influencia uma porrada de gente com QI de ameba com suas piadas e suas ’sacadas inteligentes’. Ah sim… o programa que ele trabalha faz um baita sucesso e fala sobre política. Então parece que ele praticamente tem o alvará de falar qualquer bobagem e ser abençoado por todos do universo.
Bom, esse pseudo humorista chega no twitter e espalha para seus 525.675 seguidores (até agora) a seguinte frase:

Agora me explica, por que raios o suicída tem que se fuder(sic)? Por que ele não quis viver no meio de humoristas de stand-up? Ou por que a vida para ele é mais dolorida do que a dor que irá causar nele e nos seus amigos/parentes se escolher morrer?
O suicida é a pessoa mais corajosa do mundo. Ele acaba enfrentando seu problema da maneira mais difícil por não conseguir achar outro jeito de arrumar as coisas. Acha que o mundo teria menos problemas se ele não estivesse alí. E garanto, a decisão de acabar com a própria vida não é nem um pouco idiota. É sim a mais corajosa.
Interessante que não é a primeira vez que vejo esta postura nas pessoas (influentes, pseudos influentes ou não) de julgar quem tenta e quem consegue se matar. Crentes, em sua maioria, não conseguem entender que o mundo não é um lugar feliz e que Deus não vai te salvar dos seus problemas. Por maior que o dízimo seja.
A vida não é fácil, não é cor de rosa e nem todas as piadas tem graça. Diria até que poucas piadas do Rafinha Garibaldo Bastos tem graça. E isso, meus amigos, já é motivo de sobra para alguém tentar o suicídio.
16 Sep 2009 por Ivan
Como vocês devem saber (e se não sabem, que fiquem sabendo agora) mês que vem subirei ao altar e farei milhares de mulheres chorarem! Quando digo milhares de mulheres estou falando da minha mãe + minha avó e, se der sorte, alguma tia emocionalmente perturbada.
Pois bem, com a preparação do casamento sobra pouco tempo para a vida, o que acaba englobando escrever nesse blog. E minha rotina tem se tornado cada dia mais pesada, já que no trabalho estou sendo praticamente estuprado de tanta coisa para fazer.
Então é isso mesmo que você está pensando. Vim escrever aqui com uma desculpinha para vocês ainda não desistirem de mim! Porra, se eu tivesse uma hora a mais no meu dia, a usaria para dormir e/ou ir ao banheiro!
Para aqueles 3 leitores assíduos que sentirão muita falta de mim, convido vocês a me seguirem no twitter. E para quem quiser ver se ainda estou vivo ou ter uma conversinha mais particular, é só me mandar um e-mail! O máximo que pode acontecer vai ser eu não responder.
Volto a postar assim que as coisas estiverem menos corridas! O que acontecerá, se tudo der certo, após a lua de mel.
10 Aug 2009 por Ivan

Reunião de condomínio. Um lugar onde a discussão gira em torno do nada para chegar em lugar nenhum. Ela se baseia na essência “Seinfeld” que rege a vida e o universo. É uma reunião sobre o nada.
A reunião é composta pelo Síndico que normalmente é representado por um senhor de certa idade e surdo igual uma porta, ou então por aquela tia barraqueira que você desconfia que seja mais macho que você e o Muhammad Ali juntos. Se bem que você e o Muhammad Ali juntos me soa meio gay. Enfim, temos o síndico, os moradores participativos, os votantes e os perdidos.
Os moradores participativos normalmente já possuem uma queixa extremamente importante na ponta da lingua para ser falada antes, durante e depois da reunião. Normalmente a importancia da queixa, no mundo real fora do universo dos condomínios, estaria na proporção de um espirro com surpresinha. Ou seja, algo pode estar meio nojento, mas podemos conviver com aquilo sem problemas maiores. É só bater uma agua e pronto! Mas para o morador participante fará uma diferença absurda! Claro, ele tem o direito, oras. Ele é vizinho e todo vizinho que se preze é chato! Ele é vizinho, você é vizinho e eu sou vizinho. E todos somos chatos… menos eu.
Os moradores votantes normalmente são aqueles que acabaram de comprar um apartamento no condomínio e querem conhecer os outros habitantes do conglomerado de tijolos e cimento ou então somente exercer seu direito de voto, já que é a primeira vez que ele tem uma casa própria e pode votar na reunião. Nada como sair do aluguel e começar a ter opinião própria! Normalmente aparecem na primeira e no máximo na segunda reunião. Depois acaba vendo que as reuniões nunca mudam e jogam a sorte na mão de Buda para que tudo de melhor aconteça nas dependências comuns do seu imóvel.
Agora finalmente chegamos na categoria dos moradores perdidos. Assim como os personagens de Lost eles não sabem como chegaram alí, não tem idéia de como sair, desejam muito uma viagem no tempo (para frente) e, depois de um tempo, começam a sentir medo, muito medo e desejo de sair logo dalí. Estes acabam indo parar na reunião quando estão estacionando o carro e vêem certo movimento no salão de festas. Esperando filar um salgadinho ou uma cervejinha, eles olham para o salão e misteriosamente são sugados para o centro da reunião. Ficam olhando a esmo o síndico que tenta acalmar os ânimos de todos e sentem-se desconfortáveis para sair dalí, já que agora terão que atravessar uma fileira e meia de cadeiras, causando assim mais tumulto para todos os presentes. Tentam lançar alguma opinião que logo é abafada pelas queixas mais importantes.
Vale lembrar também que os moradores perdidos, algumas vezes, nem são donos dos imóveis. Alguns estão morando lá de aluguel, outros fazendo a manutenção do prédio e outros são apenas entregadores de pizza. Mas todos se encaixam perfeitamente nesta categoria.
Minha sugestão para tornar a reunião de condomínio um pouco mais interessante seria a instalação de uma ringue de gel para os moradores se degladiarem. Primeiro as queixas seriam escritas num papel e entregues ao Síndico. Quem falasse sua queixa para todos ouvirem seria imediatamente desclassificado. Depois o Síndico com o sub-síndico (taí uma função para o sub-síndico) organizariam as chaves de combates.
A competição seria dividida em primeiro e segundo turno, depois os dois primeiros moradores de cada chave disputariam as quartas de finais e semi finais que teriam o carater eliminatório, e depois a grande final, onde o vencedor teria sua queixa lida e formalmente aprovada.
Caso alguém discordasse da queixa aprovada, poderia tentar entrar com recurso no tapetão. Mas tal manobra não seria bem vista pelo Zelador, que não quebraria mais galhos no apartamento do morador.
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